Sobre - GOEB - Grande Oriente Estadual da Bahia

Grande Oriente Estadual da Bahia

História do GOEB

A Bahia foi o berço da Maçonaria do Brasil

Assim como foi o berço do descobrimento de nossa Pátria amada. A história do Grande Oriente Estadual da Bahia é uma historia de entusiasmo, de estoicismo de humildade, de amor e de tantas outras virtudes, assim como o Brasil, que lutou para transpor as barreiras e se tornar Grande e respeitado, isso só nos honra e nos enche de orgulho. Nenhum patrimônio é tão rico e nenhuma lição é tão bela, quanto a herança que recebemos dos que nos antecederam. Se algum Irmão quiser ser digno de si mesmo, há que ser antes digno dessa herança!
Já no início do Século XX, estabelecidas as normas constitucionais Maçônicas para a criação e instalação dos Grandes Orientes Estaduais, era de se esperar e, até imperativo que a Bahia, tendo sido a primogênita das atividades Maçônicas do Brasil, fosse também um dos primeiros Estados a
ter sua Unidade Federativa junto ao Grande Oriente do Brasil. Já que algumas crônicas e artigos de pesquisadores dão conta de que a primeira Loja Maçônica da Bahia e do Brasil foi a “Cavaleiros da Luz”, fundada em 1797, numa fragata Francesa que se achava ancorada na povoação da Barra em Salvador, em 1802, foi fundada a loja ‘Virtude e Razão”, dando origem em 1813 à Loja “União” e Loja “Humanidade”.

Quando o marechal Deodoro renunciou ao Grão-Mestrado, a 18 de dezembro de 1891, foi substituído pelo Adjunto, ministro Antônio Joaquim de Macedo Soares. E, durante o período de interinidade deste, era promulgada a Constituição de 1892, a qual, entre outras coisas, previa a criação de Grandes Lojas estaduais federadas ao GOB (Grande Oriente do Brasil).

Explosão da Maçonaria do Brasil

O título GRANDE LOJA foi, portanto, introduzido no Brasil pelo GOB, para designar Obediências estaduais federadas. E as duas primeiras Grandes Lojas estaduais federadas ao GOB foram as de São Paulo e da Bahia, criadas, respectivamente, a 14 de maio de 1892 e a 7 de março de 1892. A Grande Loja do Estado da Bahia foi instalada a 14 de maio de 1893 e seria extinta a 6 de agosto de 1900, diante da dissidência das Lojas baianas, que, a 7 de março de 1900, haviam fundado um espúrio Grande Oriente Autônomo da Bahia, separando-se do GOB. A Bahia foi, portanto, um dos primeiros Estados — na realidade, o primeiro, cronologicamente — a ter a sua Obediência federada Entretanto um fato lamentável, no que tange à unidade Maçônica, eclodiu em 1927, no seio da Maçonaria Brasileira, atingindo em cheio a todas as unidades federativas e, de modo mais contundente, a Bahia. Trata-se do famigerado “Cisma” que provocou a explosão da Maçonaria do Brasil, dividindo-a em várias Potências, algumas delas sem o devido reconhecimento. Outras todavia, ganharam fórum e perduram até os dias atuais.

O Cisma

Esse “Cisma” provocou graves conseqüências para a Maçonaria Brasileira. .A Bahia porém, foi o Estado mais atingido porque restaram apenas algumas Lojas - menos de uma dezena - jurisdicionadas ao Grande Oriente do Brasil, tendo em vista que, após a publicação do Manifesto do Soberano Supremo Conselho, em 15 de dezembro de 1927, tornando público o rompimento da Confederação, arrastou consigo quase todas as Lojas do “R.E.A.A.” para a recém criada (22/05/1927) Grande Loja Simbólica do Estado da Bahia, que em 1932 passou a ser apenas Grande Loja do Estado da Bahia.
Segundo pesquisas do nosso estudioso Irmão José Castellani, a Grande Loja Unida da Bahia foi constituída apenas a 26 de março de 1954, como sucessora da Grande Loja da Bahia, no sentido de retomar muitas das Lojas antigas, que haviam participado da dissidência, mas já haviam retornado ao Grande Oriente do Brasil.

O “Cisma” entretanto, não apenas provocou a evasão de Lojas do Grande Oriente do Brasil para outras Potências, fomentou também a discórdia entre Maçons, principalmente aqueles que desconhecem, ou ignoram que a Maçonaria, seja
qual for a denominação, ou titularidade que se lhe venham dar, é, por sua natureza universal e anti-dogmática, indivisível.

O infausto acontecimento chegou a tal magnitude na Bahia, que a maioria das Lojas jurisdicionadas ao Grande Oriente do Brasil, segundo relatos dos Irmãos Florisvaldo Carvalho Molinari, Carlos Eugênio Rangel e Alencastro Morais da Silva,
“Transferiram-se para a novel Potência- A Grande Loja Unida da Bahia, ficando poucas delas”.
Como as diretrizes Maçônicas exigiam o mínimo de treze Lojas Regulares para que se pudesse Criar uma Unidade Estadual, e o Grande Oriente do Brasil sofrera um duro golpe, perdendo a maioria de suas Lojas na Bahia, tornou-se impossível, a curto prazo, a instituição do Grande Oriente Estadual da Bahia, por mais que desejassem seus adeptos. Como se isso não bastasse, pouco tempo depois, Getúlio Vargas implanta a ditadura do chamado “Estado Novo”, com receio do crescimento do movimento Integralista Brasileiro que tinha como líder Nacional Plínio Salgado. A ditadura, também não suportava os ideais Maçônicos e moveu terrível perseguição aos Maçons Liberais, fechando conseqüentemente, a maioria das Lojas.
Retomando ainda a questão do “Cisma”, vale a título de depoimento, transcrever aqui, outro trecho importante, diga-se de passagem, documentado, do relato dos Irmãos Carlos Eugênio Rangel, Alencastro Morais e Raimundo Moreira:
“Era uma esperança dos novos Maçons, iniciados no Grande Oriente do Brasil, reestruturá-lo na Bahia e, por conseguinte, fundar o Grande Oriente Estadual da Bahia, cuja idéia teve inúmeros adeptos, até mesmo Irmãos da Grande Loja Unida da Bahia que discordavam do separatismo existente. A esse respeito, um fato documentado comprova esta afirmativa: Um Irmão da GLUB, Florival Bastos Ferreira, da Loja Filhos de Salomão, sabedor da existência de uma Loja Maçônica na Ladeira das Fontes das Pedras, lá compareceu e pediu ingresso na Loja “Luz e Labor” do GOB, sendo- lhe concedido. A partir de então, foi um lutador incansável pela reunificação, infelizmente, ainda não realizada. Pouco tempo depois, num Congresso Maçônico promovido pelos Eminentes Grãos-Mestres Estaduais, o Soberano Grão-Mestre Geral informou acerca da gestão por ele enviada, junto à Confederação das Grande Lojas, no sentido de passar o Governo Geral a quem fosse eleito pelo Povo Maçônico, desde que se efetivasse a tão desejada Reunificação”.
Desde a eclosão do “Cisma” em 1927 fomentado por Mário Behring, até a fundação do Grande Oriente Estadual da Bahia, segundo os registros encontrados e relatados pelos Irmãos Rangel, Molinari, Alencastro e Raimundo, Foram Delegados do GOB neste Estado da Bahia os Irmãos Ponciano Moreira, Nelsom Cândido de Lima, Willen do Prado Moreira, Walke Corrêa de Araújo e Bernado Spector. Ainda nesse período, foi fundada uma loja pelo Irmão Ponciano Moreira - A Loja Rodrigues Neves - que funcionava no Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador.

A fundação do Grande Oriente Estadual da Bahia

Em 1950, foram fundadas as Lojas: Luz e Labor, Cavaleiros da Fraternidade e Amor e Harmonia. O entusiasmo não parou por aí. Seguiram-se a estas outras instalações de Lojas no Interior e na Capital, e, já em 1956, contava o Grande Oriente do Brasil com treze Lojas na Bahia, na Capital: União e Justiça, Cavaleiros da Fraternidade, Luz e Labor, Dois de Julho, Amor e Harmonia, Cruz de Malta. No Interior: Cavaleiros do Oriente em Vitória da Conquista, Deus Luz e Caridade em Caravelas, Justiça e Trabalho em Ubaitaba, Luz Caridade e Progresso em Tanquinho de Feira, Regeneração Sul Baiano em Ilhéus, Segredo Força e Aliança em Feira de Santana, Segredo Força e União em Juazeiro, União e Sigilo em Belmonte.
Antes da fundação do Grande Oriente Estadual da Bahia, as Lojas existentes funcionavam em duas Sedes: Uma na Ladeira da Fonte das pedras, onde funcionavam as Lojas Luz e Labor e a Cavaleiros da Fraternidade; e a outra na Praça Castro Alves n. 4 - segundo andar, onde funcionavam originariamente, a Loja 2 de Julho e União e Justiça e posteriormente, as Lojas Amor e Harmonia e Cruz de Malta, fundada em 1956. Até a fundação da Cruz de Malta, os Breves Constitutivos, Documentos de Admissão, Diplomas e Medalhas eram concedidos pelo Poder Central. Naquela época.

Segundo Relatório dos Irmãos Carlos Eugenio Rangel, Alencastro e Raimundo Moreira, a primeira reunião pró-fundação do Grande Oriente Estadual da Bahia deu-se 10 de setembro de 1960, no segundo andar do Prédio da Praça Castro Alves 4, nessa Reunião, que transformou-se em Assembléia Geral, na qual procedeu-se uma eleição para o preenchimento dos cargos, cujo o resultado acusou: Presidente - Nelson Cândido de Lima, Vice-presidente - João Falcão Brandão, Orador - Durval Tavares Carneiro, Secretário - Epaminondas Libório Pereira, Tesoureiro - Florisvaldo Carvalho Molinari e Coordenador - Alencastro Morais da Silva. Nessa Reunião, diversas propostas foram apresentadas, destacando-se uma do Irmão João Falcão, contrário a fundação do novo Grande Oriente, e sim pelo “Soerguimento do já adormecido” em 1927. A Assembléia no entanto concluiu pela fundação de um novo GOEB.
  • Segundo a Ata de Fundação, a nova Administração ficou assim constituída:

    • Bernardo Spector
    • Arivaldo Prata Reynel
    • Darcy da Costa Ramos
    • Gerson Lemos Couto
    • Nilson Tosta Araujo
    • Veríssimo da Silva Bittencourt
    • Salatiel Ferreira de Queiroz
    • Luiz Souza Neves
    • Enio Machado Vilar
    • Potyguara Freire da Silva
    • Adelino Barroco Ruas
    • Osvaldo Figueredo Silva
    • Abdala Kalil Esdraus
    • João Martins Almeida
    • Grão Mestre Estadual
    • Arivaldo Prata Reynel
    • 1º Gr. Vig
    • 2º Gr. Vig
    • Gr. Orador
    • Gr. Orador Adjunto
    • Gr. Secretário
    • Gr. Secretário Adjunto
    • Gr. Secretário de Finanças
    • Gr. Secretário de Finanças Adjunto
    • Gr. Hosp
    • Gr. Secretário de Relações Maçônicas
    • Gr. Mestre de Cer.
    • Gr. Cobr.
Terminava portanto a grande batalha que se arrastara por mais de meio século, deixando agora, um saldo positivo. Nessa penosa trajetória, muitos foram as escaladas íngremes e pedregosas; muitas foram as veredas obscuras em labirintos intermináveis que, somente seriam vencidos, como de fato o foram pelo estoicismo, pelo amor à causa impessoal, pela consciência universalizada que só a estirpe Maçônica pode incorporar sem temor.

Pesquisa Romulo Mercuri

Fontes: Livro 30 Anos de GOEB, além dos Irmãos; Florisvaldo Carvalho Molinari, Carlos Eugenio Rangel e merecidas considerações do Ir. José Castellani, que muito nos ajudou na retificação deste conteúdo.
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